O futuro é do Jornalismo especializado: como criar persona

Quem fala para todo mundo fala para ninguém. E isso está ficando mais evidente na produção de conteúdo jornalístico. Vamos lá: as pessoas compravam o jornal na banca da esquina e iam direto para o caderno que as interessava. Esse comportamento “on demand” ficou intenso com a internet. O usuário clica e escolhe o que quer ler e pronto. E onde você, amigo jornalista, entra nisso? Temos que conversar sobre Jornalismo especializado e como criar sua persona.

Filosofia de boteco

Significa que o Jornalismo passa por uma transformação de conceitos super importante. Atender um público segmentado tem benefícios animadores: o resgate de reportagens aprofundadas, a chance de qualificar o conteúdo, o aumento da interação e colaboração da audiência, o serviço de informar claro e objetivo. Por outro lado, a polêmica: devemos mostrar às pessoas o que elas querem ou o que elas precisam?

Odeio extremismos. Acredito que os portais de notícias diários são importantes. Precisamos ter uma visão do todo na sociedade. Mas o aumento de projetos com público segmentado provoca reflexões mais interessantes, conteúdos com mais qualidade, engajamento, colaboração. Se nós, jornalistas, temos a missão de informar claramente um assunto para que todos possam entender. Então, talvez seja uma oportunidade de explicar muitos temas às pessoas leigas e contribuir com especialistas.

“O ecossistema jornalístico de 2020 será caracterizado por expansão, com maior contraste entre os extremos. Haverá mais gente consumindo mais notícia, e de mais fontes. A maioria dessas fontes terá uma noção clara de seu público, dos sectores específicos que cobre, de suas competências básicas”, decretou o relatório-manifesto Post Industrial Journalism: Adapting to the Present.

Essa segmentação é tão fundamental para a discussão do Novo Jornalismo porque é considerada o cenário ideal para monetização. E você sabe: todos querem saber da grana. Essa exclusividade de temas sempre existiu, mas não tanto em veículos independentes. E faz toda a diferença porque diversifica o conteúdo e oferece liberdade editorial. Lindo!

Para te convencer… “As redações que conhecerem bem o seu público e sua própria missão têm mais chances de prosperar; aqueles com menos autoconhecimento talvez tenham um destino menos animador”, disse Almar Latour, editor executivo do The Wall Street Journal na série de previsões para o jornalismo no último ano produzida pelo Nieman Lab, da Harvard University.

As aspas eu tirei do blog Questões Contemporâneas do Jornalismo, liderado pelo Ph.D Paulo Nuno Vicente.

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E o que você tem a ver com isso?

Agora, e você? Tem um projeto de jornalismo na internet? Como pretende se especializar para atender um público que precisa de informação de qualidade? Como você vai efetivamente ajudar alguém como jornalista? Durante sua vida, juntou um saco de preferências, traumas, desgostos e whatever… Aí, você me vem com: “Verônica, eu gosto de tudo”. Ok. Isso porque não parou para pensar direito. E quem tem tempo para pensar, né?!

Hoje, aprendi que para sair de um ponto A e chegar ao B, é preciso sacrifício e sair da zona de conforto (clichê que funciona). E poucas pessoas estão dispostas a passar por isso para evoluir. Por isso, que é mais fácil reclamar, choramingar, não parar para pensar. Esse cenário estático é o que elas querem e não o que precisam.

A dica é encontrar uma maneira de aprimorar seu autoconhecimento. E descobrir duas coisas: o que te dá tesão e como você pode ajudar alguém informando sobre isso. Assim, o caminho para a monetização aparece no horizonte.

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Vamos para a prática

Se você tem ideia do que pretende fazer, um tema específico para se dedicar, aqui vai um exercício sensacional: a criação de personas.

  • O quê?

Persona é uma personagem criada para ajudar sua empresa a compreender melhor quem é o cliente e do que ele precisa. É uma figura imaginária que você cria para te ajudar a entender seu público.

  • Por que é importante?

Porque temos uma mania de fazer tudo pensando no que nós achamos bom e, muitas vezes, não somos o público. E, caracas. É pra ele que trabalhamos. Temos esse pensamento devido à consciência e a autorreferência. Mas acredite: precisamos de um personagem baseado nas características da audiência para que olhemos esse perfil e tenhamos uma imagem clara de quem vamos atender.

Desenvolver personas é tão fundamental que há agências que criam um manequim com roupa e nome pessoal, colocam na frente da mesa de trabalho e voilà… “trabalhem para ele”. Essa imagem cerebral funciona bastante. Eu nunca construí um boneco, mas fiz um mapa de como seria a persona do Realize – Programa de Protagonismo Digital para Jornalistas – e vou te mostrar como fez a diferença para o meu trabalho.

Como fazer sua persona

Faça uma pesquisa sobre seu público-alvo. Investigue quem seria seu seguidor perfeito. Em seguida, responda perguntas detalhadas sobre ele: Como se chama? Quantos anos tem? Tem filhos? Como se veste? O que mais deseja? O que odeia? Como trabalha? Qual é a rotina? O que assiste? Qual é o tipo de comida favorito?

Parece loucura, eu sei. Mas é possível. Você é jornalista, caramba. Vá atrás. haha. Pesquisas, fóruns, entrevistas… Use mapas mentais para unir essas informações para que faça sentido. Eu uso o XMind (programa gratuito) para fazer as minhas. Olha só como ficou o mapa da persona do Realize.

Persona

Ao ter as informações reunidas, você percebe que montou uma personagem imaginária com o perfil do seu público ideal. E aí, toda vez que for produzir, pergunte-se se vai ser útil à ela. Dessa forma, você vai se comunicar com eficácia.

(E ah! No meio do caminho, percebi que essa não era bem a minha persona do Realize e mudei. O que é normal porque conhecemos melhor as características da audiência à medida que recebemos feedback do projeto.)

  • Para ajudar

Use mapas mentais, pegue uma foto para pertencer à essa personagem, construa seu manequim, se for preciso, para construir essa imagem na caixola. A Rock Content fez uma página bem legal para você fazer a sua. É básica, mas vale a pena. É o Gerador de Personas.

Ainda há muito para conversar. Vamos atualizar nossa versão? 🙂

Beijo.

V.

Ah! Eu sempre deixo espaço para quem quer MAIS! (Meus preferidos <3)

Vou fazer um webinário gratuito com a editora executiva da revista digital AzMina, Helena Bertho. A gente vai conversar sobre como segmentação é importante para projetos de Jornalismo. Participe. Vai ser sensacional!

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Webinário GRATUITO com Helena Bertho

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