Jornalismo 360: como a realidade virtual revoluciona o formato da notícia

Prepare-se para produzir e consumir informações de novas formas. Você já experimentou assistir a um vídeo com óculos de realidade virtual? Se sim, sabe o quanto a sensação imersiva é deslumbrante. Se não, certamente terá a chance de conhecer nos próximos três anos. É o tempo que o cineasta Tadeu Jugle comenta ser necessário para popularizar o uso de imagens em 360 graus no país.

Jungle foi um dos palestrantes do 12 Congresso Internacional de Jornalismo Investigativo em São Paulo. Ele se debruçou sobre o tema do Jornalismo imersivo e como essa tecnologia pode estar a serviço das histórias. “Não tem jeito. Vai vir para ficar”, comenta. O cineasta acredita que a realidade virtual é uma revolução na maneira de produzir notícia. Desde a invenção do cinema, fazemos narrativas audiovisuais através de plano + plano + plano agora temos esfera + esfera + som. “Estamos dentro da cena. A realidade virtual te coloca no lugar do outro e tem a experiência por essência. Isso muda tudo.”

As redes sociais e os games são os protagonistas do movimento de VR e movimentam um mercado milionário que vai explodir em 2018. A NBA já faz transmissões ao vivo de grandes jogadas, por exemplo. E o setor erótico (acredite) também fortalece a popularização da tecnologia. Imagina só: colocar um óculos e “quase” sentir alguém ali no vuco-vuco. haha Há quem duvide da qualidade do prazer. (perdemos o leitor, mas não perdemos a piada).

Voltando…

Tadeu descobriu o poder desse formato em 2015. Sem câmera, roteiro e contatos, insistiu até conseguir o que precisava para fazer a reportagem gravada em 360 graus, Rio de Lama. Uma filme sobre as histórias dos moradores de Mariana, em Minas Gerais, após a tragédia que arruinou a cidade. São relatos emocionantes. Vale assistir e é gratuito no Apple Store ou Google Play. Outro trabalho dele que você pode experimentar o 360 imediatamente é a obra Fogo na floresta, está no YouTube. Uma experiência em uma tribo indígena.

A questão abre espaço para discussões sobre o papel do jornalista na imagem, como observador ou até personagem na história. Afinal, a VR vai filmar você, como jornalista, e toda a equipe de filmagem. Como se comportar? A pergunta ficou para o debate. Tadeu explica que nem todo conteúdo precisa ser tomado por esse tipo de tecnologia, mas muito pode vir a ser, principalmente o Jornalismo.

Presença do Google

Erica Anderson, coordenadora do Journalism 360, rede de profissionais de mídia dedicados ao jornalismo imersivo do Google, também esteve no painel para contribuir com o tema. Presença de peso, hein?! Ela deixou claro a aposta do nosso “oráculo” na contação de histórias em realidade virtual. A ideia é migrar do storytelling para o storyliving, como forma de imergir na cena da narrativa.

O Google News Lab fez uma pesquisa com 36 jornalistas sobre como a tecnologia vai afetar a profissão e descobriu que o formato ajuda a converter o público por meio das emoções. Além disso, não há uma preocupação com o início, meio e fim das histórias. PAM! “Sugiro experimentar e explorar o local das históras.” Mais descobertas você encontra no resultado aqui.

Bom, né?!

Em Brasília, o GuiaBsb usa e abusa do óculo de realidade virtual para mostrar a capital em outras dimensões e até esportistas que pulam de para-quedas da pedra da Gávea, no Rio de Janeiro. E fez sucesso na Campus Party nesse mês. Dicas e informações sobre o serviço, contate o Arthur Cordeiro, dono do projeto. 😉

Olha só como foi a experiência da galera durante o evento:

A Abraji também está na cobertura do evento e recomendo a leitura do material deles como complemento:

“Estamos criando uma nova linguagem com a realidade virtual”, afirma Tadeu Jungle.

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V.