Empreendedorismo e ferramentas digitais são os conhecimentos mais procurados por jornalistas

Imagem de jornalista empreendedor digital

Há uma década, quem imaginaria que os jornalistas se interessariam por empreendedorismo. Trabalhar em uma grande redação e acumular prêmios reinava no mundo dos desejos profissionais deles. Mas isso forçadamente mudou.

Com a crise no setor das mídias tradicionais, o assunto passou a ser bastante procurado como opção de renda. Apesar disso, os jornalistas ainda não têm ideias claras de negócios na área e também desconhecem como dar os primeiros passos.

Para chegar nesse palpite, o Jornalista 3.0 fez uma pesquisa informal online chamada “Como posso te ajudar?” com 204 participantes jornalistas entre 7 e 14 de novembro de 2017. O objetivo foi entender as novas necessidades do público e a melhor maneira de atendê-los.

E é sobre isso que vamos falar neste artigo.

empreendedorismo no jornalismo

Imagem ilustrativa com licença adquirida no Deposit Photos

Empreendedorismo em pauta

A recessão na economia trouxe o resultado de 14 milhões de pessoas desempregadas no Brasil, conforme dados do IBGE. E claro que profissionais de mídia estavam nesse montante. Você deve conhecer algum jornalista que foi demitido nesse período, certo?

O Volt Data fez um trabalho minucioso de coleta de dados sobre as demissões desses profissionais desde 2012. E o resultado foi “A Conta dos Passaralhos”, que relata 1.893 demissões de jornalistas em redação. Isso sem contar as contratações de pessoa jurídica e as informais. A maioria trabalhava em jornais ou revistas.

Sem surpresa, a consequência é uma busca intensa pelo empreendedorismo. Nos últimos 3 anos, 11 milhões de empresas foram criadas no país por pessoas que precisavam de trabalho, segundo pesquisa do Sebrae.

Esse novo cenário está refletido na resposta de 90% dos jornalistas entrevistados pelo Jornalista 3.0. Todos eles já pensaram em empreender na área de comunicação. PAM!

empreendedorismo no jornalismo

Fonte: Voltdata

Novos conhecimentos

Pensar em empreender é fácil. O desafio aparece quando é preciso decidir os primeiros passos na prática.

No levantamento do Jornalista 3.0, 39% disseram não ter ideias de negócios ou saber como começar. Outros 37% afirmaram ter um projeto no ar mas quebram a cabeça com as possibilidades de monetização.

Isso mostra claramente a necessidade e busca de novos conhecimentos de empreendedorismo e ferramentas digitais. Técnicas de SEO, redes sociais e Jornalismo de dados foram citados como informações que mais precisavam para se manter no mercado.

Se conseguirem esse material online, aahhh… melhor ainda. Cursos virtuais, e workshops rápidos foram preferência de meio para adquirir novas habilidades.

Reflexão: seria uma desvalorização do sistema formal de ensino? (Fica para o próximo artigo)

empreendedorismo no jornalismo

Imagem ilustrativa com licença adquirida no Deposit Photos

De quem é a culpa?

Quando perguntados sobre o que os impede de alavancar a carreira como jornalista, a maioria culpou o mercado. Respostas como falta de oportunidades e baixos salários se destacaram.

A crise leva os jornalistas a pensarem em empreendedorismo como forma de sobrevivência financeira e até resgate da motivação profissional. No entanto, eles sinalizam que essa vontade desapareceria se o mercado estivesse aquecido.

As pessoas preferem apontar um fator externo por suas fragilidades do que assumir a responsabilidade pelas condições atuais delas. Um exemplo é admitir que o ambiente digital exige mais habilidades e que há um despreparo para dominá-las.

Ir em busca desses conhecimentos, pensar em montar um negócio ou começar a ver a profissão como alavanca de outras áreas é o mais árduo. Difícil porque exige desapegar de paixões, gastar energia e abrir mão do ego/status. Como nem todos estão dispostos a tudo isso, as redes sociais ficam inundadas de lamentações.

Pesquisa empreendedorismo no jornalismo

Pesquisa “Como posso te ajudar?” do Jornalista 3.0

O maior vilão: medo

Um dos pontos mais interessantes dessa pesquisa informal foi perceber que a dificuldade com ferramentas digitais e tecnologias só aparecem em quarto lugar. Logo após apontarem o mercado como principal impeditivo de alavancagem da carreira profissional, o medo reina. Isso mesmo.

Pensar em um possível fracasso no empreendedorismo, ter instabilidade financeira e insegurança sobre as próprias capacidades foram respostas ressaltadas no levantamento.

O domínio do ambiente digital é insuficiente para o sucesso do profissional de comunicação na internet. Vencer batalhas mentais diárias, ter autoestima, confiança no trabalho e, principalmente, coragem são habilidades que passam à frente de qualquer conhecimento técnico.

Eis o maior desafio: aceitar a possibilidade do fracasso, assumir riscos, em nome de um maior destaque profissional. Segundo Alexander Lowen, no livro Medo da Vida, também significa aceitar a si mesmo.

“O fracasso parece significar submissão a um destino inaceitável mas, na realidade, significa autoaceitação, o que possibilita as mudanças. A maioria das pessoas da cultura ocidental esforça-se para ser diferente e, nesta medida, é neurótica. E, uma vez que está aí uma luta que ninguém pode vencer, todos que nela se envolverem fracassarão. Paradoxalmente, através da aceitação do fracasso, tornamo-nos livres das nossas neuroses.”

Livro Medo da Vida, da editora Summus, página 21.

Fio de esperança

Apesar da insegurança e dos claros desafios do mercado, 32% dos participantes estão otimistas. Dá para acreditar? Foi o principal resultado sobre o sentimento que nutriam a respeito da profissão.

Seguiram-se desânimo e frustração, com 29% e 24% respectivamente.

Repensar o papel do Jornalismo, adquirir habilidades e passar a enxergar novas possibilidades na área pode ser animador. E aceitar esse desafio não é uma opção. A decisão é de ir chorando ou sorrindo.

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Trecho da pesquisa “Como posso te ajudar?” do Jornalista 3.0

E agora?

Os resultados apontam um público de jornalistas que pensam em empreender na área e estão otimistas com as novas chances no mercado digital. Além disso, as características de domínio da mente passam a ser tão relevantes quanto adquirir conhecimentos técnicos.

O objetivo da pesquisa foi identificar os principais desafios desses profissionais e criar oportunidades de atendê-los. Dessa forma, o Jornalista 3.0 reassume o compromisso de criar conteúdo sobre reflexões e técnicas que ajudem esse perfil.

 

E agora? Engole o choro e vamos juntos.

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