Crowdfunding: o financiamento coletivo salvou meu sonho

Eu era uma mocinha apaixonada pela redação de um jornal. Mas, depois de um tempo, perdi grandes oportunidades por não saber inglês. Como assim jornalista sem inglês? Pois é. Saí do emprego, vendi tudo (até as calcinhas) e fui para terras estrangeiras aprender na marra. Estudei para caramba, voltei. Percebi que a redação não era mais suficiente para tantos planos cultivados.

Meu sonho era sair por aí contando as histórias incríveis. Surgiu a ideia de um projeto chamado Vidas Contadas. Eu faria vídeos curtos para mostrar histórias de pessoas comuns, daquelas que a gente encontra na parada de ônibus. Deu certo, ele entrou no ar em 7 de abril deste ano. Tudo era festa porque eu tinha um dinheirinho guardado de uns freelas. E quando meu porquinho está pesado, ah… penso que posso tudo nessa vida!

Mas, depois de um mês, o dinheiro acabou e o desespero bateu. Chorei, esperneei, não conseguia me desapaixonar do Vidas (já éramos íntimos). Eu sabia que se me dedicasse a um trabalho que me desse dinheiro talvez meu sonho ficasse na gaveta para sempre. Aí, a agonia tomou meu peito. Rezei, chorei, bebi e rezei de novo.

Até que uma amiga que estudava comigo na pós-graduação, a Marcella, e outro grande amigo Arthur insistiram para que eu conhecesse o crowdfunding, um financiamento coletivo, onde as pessoas fazem uma vaquinha virtual para ajudar a bancar projetos legais. Duvidei que poderia dar certo comigo. Afinal, quem iria abrir a carteira para minha ideia em tempos de crise? Quem embarcaria comigo nesse sonho?

Mas chegou aquele momento em que a gente não tem nada a perder. Fui atrás e pesquisei três plataformas: Benfeitoria, Kickante e Catarse. Fiquei com a última opção. Foram 40 dias para arrecadar R$ 4 mil. Esse dinheiro financiaria uma série de oito vídeos produzidos em Brasília. As histórias seriam publicadas semanalmente.

Divulguei na família, nos vizinhos, nas redes sociais. Bati tambor, fiz algazarra e gritei: “Vem fazer parte do meu sonho aqui, pessoal”. Esqueci boas maneiras e fui, sim, cara de pau. E não é que ao final do prazo estabelecido pelo site, estava lá saltando da tela o dinheiro necessário para eu continuar minha caminhada — doado por 37 pessoas.  Chorei demais. Dessa vez, de alegria!

O acervo hoje tem 14 vídeos, fui convidada para fazer duas palestras (olha, que chique! haha), uma empresa me procurou para parceria de audiência e os feedbacks… ah! Os feedbacks foram incríveis, de depoimentos de pessoas que se emocionaram até de um psicólogo que começou a usar as histórias como terapia para os pacientes. É clichê, mas nenhum dinheiro do mundo paga minha felicidade de tentar e conseguir, construir algo e fazer o bem para as pessoas.

Ok, o dinheiro acabou de novo. E preciso arriscar novas empreitadas para colocar a segunda temporada do Vidas no ar. Mas, dessa vez, há algo diferente em mim: sei que, se eu quiser do fundo do coração, vou conseguir. Ah! E a redação? Está guardada no coração cheio de saudade, e vai ficar por lá. Estou muito feliz assim…

A dica é tentar. Explorar o que parece ser improvável pode ser surpreendente. É hora de tirar aquele projeto do papel!

Para te inspirar, eu fim mini e-book, inspirado no e-book da Guaíra Flor, do blog Vida Fora da Redação, com 5 casos de jornalistas que trabalham com propósito muito bem definido . É pequeno e grátis. Só baixar aqui, ó: 5 casos de jornalismo com propósito.