Cinco fases emocionais na demissão do jornalista

O editor te chama no café e diz que tem um assunto difícil e delicado para conversar. Você treme, claro. Ou fez besteira ou é passaralho. Ele lamenta o quanto a situação no jornal está complicada e que tentou reverter a situação, mas os acionistas decidiram por um corte no pessoal. Pronto! Você está demitido. Mas a ficha não cai ali na hora. A partir desse momento são as mesmas reações de quando um grande amor diz adeus. Conheça as cinco fases emocionais na demissão do jornalista.

1) Primeiro, vem a incompreensão. É um engano. Como assim eu me dedico por anos, até décadas, pelo jornal e agora isso? Logo eu que dei o sangue pelas pautas? Que morri de alegria com a manchete no domingo? Que fiquei de plantão no meu aniversário de casamento? Impossível. Eu, que treinei os estagiários, fiz festinha surpresa para o chefe, passei o Ano-Novo ligando para o Corpo de Bombeiros para saber dos acidentes de trânsito… Demitido.

2) O segundo passo é a tristeza. Escorre aquela lágrima no canto do rosto. Vou ao banheiro para disfarçar. O coração está partido e só uma fossa — no bar com pinga ou no sofá com sorvete de flocos — pode curar. Mas não vai ser suficiente. Quem sou eu agora? O que vou fazer? A pessoa mais decepcionada do planeta.

3) O terceiro passo é a raiva. Ah, é? Eles vão ver! Duvido que vão encontrar alguém mais dedicado. Quero que esse lugar exploda. Sei que eles têm dinheiro, essa crise é bobagem. Querem ficar mais e mais ricos. Esse lugar vai à ruína. Está falido. Não vai durar e que não dure! Você pensa em arrancar todas as coisas da mesa e até fazer um escândalo. Mas…

4) O quarto passo chega com a vergonha. Logo eu? O que vão pensar de mim? Estou caro demais ou meu texto estava ruim e nem percebi? A qualidade do meu trabalho caiu. Só pode. Que horror, que vergonha. Já sei. Foi aquele pedido de aumento do mês passado. Não, não. Deve ter sido incompetência.

5) E depois de muito sofrimento e texto de despedida por e-mail, vem a conformidade. Quando você percebe que sua hora do passaralho chegou, não foi sua culpa, é triste mas dá para viver porque você é bom no que faz. Precisa dar outro rumo para a sua vida.

Hora de acionar uns amigos de assessoria de imprensa e ter de um planejamento financeiro decente. Afinal, você ainda tem que pagar as prestações daquelas bugigangas que achou que merecia por estar trabalhando demais. Você vai entrar em contato com seu networking, arrumar freelas, realocar-se. Mas, sinceramente, colega, aquela paixão toda vai embora. Acabou o propósito e, com ele, a sensação de salvar o mundo em cada fechamento do jornal.

Apesar disso, acredite: ainda há esperança de voltar a ter entusiasmo com a profissão. Eu e Guaíra Flor fizemos um e-book pequeninho com 20 exemplos (incluindo a gente) de colegas que se reinventaram no jornalismo. Depois de tanta frustração, resolveram empreender. Agora, estão motivados com projetos engajadores e rentáveis. Vale a leitura.

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